Ansiedade: uma visão simplificada
- 17 de jan. de 2024
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Na atualidade temos duas principais psicopatologias: ansiedade e depressão. Segundo a Organização Mundial (OMS) o Brasil tem se destacado no ranking mundial e em média 18 milhões e 600 mil pessoas estavam acometidas por distúrbios relacionados à ansiedade em 2017. No cenário midiático e acelerado em que vivemos, o número tem crescido de forma acentuada e cada vez mais pessoas experimentam de algum nível de ansiedade prejudicial a sua rotina e afazeres. Então, primeiro, quero propor uma compreensão simplificada sobre a ansiedade.
É importante sabermos que a ansiedade faz parte da nossa constituição como pessoa, assim ela funciona como um mecanismo inteligente do nosso corpo, um sensor que mobiliza uma visão ampla e a necessidade de ajustes diante daquilo que se vive. No entanto, essa mesma ansiedade que funciona de forma saudável e favorável a nós mesmos, pode passar a ser prejudicial, disfuncional e desfavorável, por isso, precisamos ampliar nossa compreensão sobre o tema.
Uma vez que uma pessoa sente ansiedade diante de algo que precisa resolver ou fazer e não possui suporte pessoal e ambiental (contexto) para lidar com essa responsabilidade ela pode gerar um alerta para ela mesma de que não dará conta e por isso evitar pode ser uma forma de gerar mais ansiedade diante daquilo que precisa ser resolvido, consegue entender? Vamos para um exemplo: uma pessoa precisa ter um diálogo com seu chefe para pedir demissão porque irá para outra empresa, porém pensar em ter essa conversa gera ansiedade (nível de importância) nessa pessoa porque representa uma mudança. Ela possui um prazo para fazer isso, colocado pela empresa. Chegando próximo a esse prazo a pessoa que não possui suporte pessoal (amadurecimento, autoconhecimento, repertório socioemocional) pode visualizar esse momento como algo muito desafiador e por isso sinaliza uma incapacidade para seu cérebro que então, aumenta o alerta da ansiedade para resolver essa situação. Ajudou a visualizar assim?
Diante disso, a energia gerada (ansiedade) para você agir de forma favorável se transforma em vários sintomas físicos, a ansiedade transborda no corpo em aceleração cardíaca, tremor, falta de ar, enjoo e assim por diante. Percebe que ela ultrapassou uma linha que é o próprio nível de repertório daquela pessoa. Por isso que essa conversa, dada no exemplo, pode ser fácil para alguns e super difícil para outras pessoas.
Avançando então, podemos dizer que a ansiedade está no presente relacionada às questões futuras. Se o seu presente fica conectado no futuro de forma exagerada isso pode se tornar uma doença, por isso então existe o diagnóstico de ansiedade em 9 categorias. Eu não vou entrar nas categorias nesse texto, para não me alongar, mas fique a vontade para pesquisar sobre o assunto.
Estamos saudáveis e sentimos ansiedade quando nosso organismo (corpo) está em equilíbrio e harmonia, assim ele consegue atender as necessidades através de uma autorregulação (ansiedade=energia+repertório pessoal = ação realizada). Todavia, a doença, na compreensão da Gestalt-terapia, não vai ser o oposto disso, vamos enxergar a ansiedade (quando doença) como um sinal de ajuste que nosso corpo tenta encontrar para dar conta daquela demanda (ansiedade=energia+falta de repertório pessoal = evitação).
Quero trazer uma possibilidade para você minimizar a ansiedade. Crie repertório pessoal, amadureça seus recursos para lidar com suas responsabilidades, seja a mais simples possível. Obviamente, procurar um profissional, seja um Psicólogo ou um Psiquiatra, para avaliar o seu quadro é de fundamental importância, porém em paralelo a isso, busque se conhecer, amplie sua capacidade de atender ao que a ansiedade comunica para você, ao invés de evitar agir, use a energia da ansiedade para atender às suas necessidades.
Vamos tentar!



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