Como se apegar depois de se desprender de uma relação dependente emocionalmente
- 15 de fev. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 2 de out. de 2025

Nota: texto produzido com base nesta demanda abaixo:
“como se apegar depois de se desprender de uma relação dependente emocionalmente“
Esse tema chamou minha atenção, mesmo sem conhecer o contexto exato. Por isso, me permito pressupor algumas situações para desenvolver a reflexão. O primeiro ponto que me vem à mente é que, se houve um desprendimento emocional, é porque houve também uma compreensão de que existia algum nível de abuso ou desequilíbrio na relação. Por isso, antes de falar sobre o apego saudável, quero abordar brevemente o que é a dependência emocional.
A dependência emocional pode ser compreendida como um padrão de vínculo disfuncional, em que a pessoa compromete sua capacidade de se relacionar de forma equilibrada. Ela se torna excessiva, impede a desconexão e gera uma espécie de fixação. Em termos mais práticos, é quando alguém projeta no outro sua fonte exclusiva de afeto e bem-estar — ou seja, só se sente feliz se o outro a faz feliz.
As causas desse tipo de vínculo podem ser diversas, mas geralmente envolvem questões como baixa autoestima, falta de autoconfiança e carência de amor próprio. E vale lembrar: a dependência emocional pode surgir em qualquer tipo de relação — amorosa, familiar, de amizade ou até profissional.
Se você conseguiu se desprender de um relacionamento emocionalmente dependente, isso já é um grande passo. Mas é comum que, após essa ruptura, surjam bloqueios emocionais. Afinal, você não quer reviver a mesma dor, mas também deseja se permitir viver novas experiências afetivas.
Pensamentos como: "É melhor eu me proteger e não permitir que ninguém se aproxime." são compreensíveis — são reações naturais à dor já vivenciada. Afinal, ninguém quer sofrer novamente. O problema está no excesso: não podemos nos apegar demais, nem de menos. O caminho está no equilíbrio, que podemos chamar de afeto consciente.
Quero reforçar que os contextos difíceis pelos quais passamos também são fontes de aprendizado. Não se culpe por ter vivido uma dependência emocional. A culpa não ajuda a ressignificar — o perdão, sim.
Sugiro que você se acolha e se perdoe.
E quando falamos sobre se apegar novamente, é importante lembrar que o amor não vem para nos completar, mas para nos transformar. Como diz Ana Suy:
“Ao encontrar um amor, a gente não encontra a parte que nos faltava até então. A gente encontra a metade que fará falta a partir dali.”
Essa frase nos convida a olhar para o amor como encontro — não como preenchimento. O outro não é responsável por curar nossas feridas, mas pode caminhar ao nosso lado enquanto aprendemos a cuidar delas.
Agora, sobre como se apegar de forma saudável, deixo aqui algumas sugestões sutis que você pode experimentar:
Cultive o autoconhecimento
O autoconhecimento é a base de qualquer vínculo saudável. Quando você se conhece, entende seus limites, suas necessidades emocionais e seus padrões de comportamento. Isso permite que você se relacione com mais consciência, evitando repetir ciclos de dependência ou idealizações.
Acredite que tudo o que você precisa está dentro de você — não no outro
A ideia de que o outro deve nos completar é uma armadilha emocional. A verdadeira segurança vem de reconhecer que você é inteira, mesmo quando está só. O outro pode somar, mas não deve ser fonte exclusiva de sentido. Essa crença fortalece a autonomia afetiva e reduz a vulnerabilidade à dependência.
Permita-se ser vulnerável
A vulnerabilidade não é fraqueza — é coragem. É o espaço onde o afeto verdadeiro pode acontecer. Ao se permitir sentir, você abre espaço para conexões genuínas, sem máscaras ou defesas excessivas.
Expresse seus sentimentos com clareza e transparência
A comunicação emocional é essencial para construir vínculos saudáveis. Falar sobre o que se sente, sem esperar que o outro adivinhe, evita mal-entendidos e cria um ambiente de confiança. A clareza afetiva é um gesto de cuidado — com você e com o outro.
Não tenha medo de se envolver
O medo de se apegar pode ser uma defesa contra a dor passada. Mas se proteger demais também impede que você viva o presente. O envolvimento afetivo exige risco, sim — mas também oferece crescimento, troca e afeto. O amor não é garantia de ausência de dor, mas é possibilidade de encontro.
Observe se está projetando expectativas descompensadas no outro
A projeção é um mecanismo inconsciente em que colocamos no outro aquilo que é nosso. Quando projetamos expectativas irreais, corremos o risco de nos frustrar e de cobrar o que o outro não pode ou não quer oferecer. Reconhecer isso é um passo importante para relações mais justas e equilibradas.
Fique apenas onde é bem-vinda — não force conexões
O afeto precisa ser recíproco. Insistir em vínculos que não te acolhem é uma forma de se abandonar. Estar onde há espaço para você, onde há escuta e presença, é um ato de amor próprio. Relações saudáveis não exigem esforço para existir — exigem cuidado para permanecer.
Construa vínculos do zero, sem deixar que o passado bloqueie o presente
Cada relação é única. Levar as dores do passado como referência pode impedir que você enxergue o novo com abertura. É preciso elaborar o que foi vivido, mas também permitir que o presente se construa com leveza.
Tente aplicar essas práticas no seu dia a dia. Lembre-se: para que uma relação seja saudável, é preciso esforço, presença e dedicação. Querer construir uma relação saudável, por si só, nunca será suficiente — mas é um excelente começo.
.
.
.
Para acompanhar mais do meu trabalho, entre na minha Comunidade no WhatsApp.



Comentários