Desnutrição mental
- 31 de jan. de 2024
- 2 min de leitura

Tenho duas inspirações iniciais para escrever este texto, a primeira é o livro da Gestalt-terapeuta Adelma Socorro Pimentel (Nutrição psicológica: desenvolvimento emocional infantil). Apesar de eu não trazer uma abordagem infantil, o livro me trouxe aspectos interessantes que irei compartilhar com vocês. A segunda é a minha vivência profissional, onde tenho percebido uma correlação dos comportamentos (coisas que a pessoa faz para ela mesma) com, principalmente, a autoestima.
Talvez para você essa associação ainda não esteja clarificada, mas tentarei trazer uma escrita objetiva para que suscite em você o desejo de refletir e buscar sobre o tema. Escrever é uma jornada, então para dar início quero começar por uma citação do livro bem importante:
'' em uma perspectiva fenomenológica-existencial, pensamos que, para crescer emocionalmente felizes, as crianças precisam de cuidadores e de alimentos psicológicos que satisfaçam suas necessidades afetivas, pois estas sustentarão a inserção social ajustada e criativa, bem como as aprendizagens cognitivas, em prol da realização do processo saudável e completo dos campos em desenvolvimento : físico, motor, linguístico etc.''
O trecho, de forma bem resumida, assume que para além das condições de segurança e alimentação a criança demanda ser nutritiva afetivamente. Bem óbvio para todos que convivem com uma criança, certo? Muito bem, infância sempre será um lugar que revisitaremos, como sempre digo. Pensa comigo, se há déficit de nutrição afetiva na criança, essa desnutrição pode afetar a vida adulta. Antes de dar continuidade nesse raciocínio, é importante entendermos o que a autora diz que é nutrição psicológica.
''nutrição psicológica - provimentos de alimentos afetivos indispensáveis para a formação da autoestima e do autoconceito saudáveis, além da capacidade de reconhecimento do outro.''
Podemos traduzir esses alimentos afetivos, como, por exemplo: respeito, cuidado, comunicação não violenta, aceitação das falhas, incentivo a criatividade, impulsionamento das relações e assim por diante. Se tiver pensando em outras, deixe nos comentários. Voltando, então, para a lógica iniciada, hoje, como adulto e já não mais na responsabilidade de outros adultos, você, que me lê agora, se torna automaticamente responsável por sua nutrição emocional. Fui rápida no pensamento? Me perdoem, mas preciso ser sucinta na escrita (senão ninguém se interessa rsrsrs).
Já no final da jornada, quero evidenciar que sempre nos encontraremos com o outro! Somos seres relacionais, portanto, sua nutrição emocional, se encontra com a nutrição emocional do outro (o caos se instaura). Inclusive porque para compensar o déficit acabamos pegando do outro o que não é nosso, podemos ver essa dinâmica dentro de relacionamentos tóxicos, onde o parceiro projeta a insegurança dele na tentativa de controlar o outro (ciúmes).
Vale ressaltar, também, que você precisa pensar com o que você está se nutrindo afetivamente falando. Perguntas para pensar:
Você reconhece alguma desnutrição vivenciada na sua infância?
Como essa desnutrição afeta sua relação com você mesmo?
O que você tem para oferecer?
Esse tema do texto de hoje possui muitas camadas, como podem perceber. Pense sobre como chegaram essas informações, se despertou alguma lembrança, sentimento. Entre em contato com seu corpo. E me conte a experiência!



Obrigada por seu trabalho! Mto bom!
Excelente