''Doomscrolling'' é ruim para seu cérebro e para o seu corpo também
- 14 de jun. de 2023
- 2 min de leitura

Talvez a palavra ''doomscrolling'' não seja conhecida por você, ela é nova e ainda sem uma tradução específica para o português, textos e livros que já falam sobre o tema associam o termo como um comportamento desregrado em busca de conteúdos negativos, deprimentes e tristes. A palavra vem da justaposição de dois termos em inglês: doom, que significa ruína, e scrolling, o ato de rolar a tela do feed. O termo surge muito em decorrência da midiatização, hoje, sabemos que temos um volume de notícias e conteúdos nunca antes divulgado. A midiatização tem o papel de influenciar todos os setores da sociedade (política, cultura, religião, negócios, esporte, educação) e não precisamos de muito esforço e busca para nos depararmos com conteúdos e notícias negativas ou tristes sobre esses cenários.
Há mais de 5 anos eu optei por não ter televisão em casa. Você pode estar pensando como dou conta disso, mas confesso que não tive nenhuma dificuldade, exatamente porque as notícias e conteúdos são sempre mais negativos do que positivos. Você também tem essa percepção?
Obviamente esse recurso de não ter a televisão funciona para mim, para eu evitar ao máximo entrar em contato com conteúdos negativos, isso não significa que você precisa fazer o mesmo. O que tenho é a intenção de trazer reflexões. Muitas pessoas assistem jornal por puro hábito, nasceram acompanhando os pais na sala e cresceram com esse hábito instituído, e não só em assistir, mas também por absorver aquele conteúdo como uma verdade. Temos, em decorrência desse hábito, crenças como ''o mundo é cruel'' ''não existe bondade''... ''o povo tem que sofrer mesmo'' e por assim vai, e não param para questionar, por exemplo: você realmente precisa assistir o jornal enquanto almoça? Você realmente precisa acessar vários portais de notícias? Você realmente precisa seguir páginas que contém conteúdos deprimentes?
Então, conectando com o novo termo que surge, fruto do excesso de não só assistir esse conteúdo, mas pelo PRAZER da pessoa em BUSCAR por notícias e conteúdos negativos. Em entrevista ao portal Health, Ken Yeager, psiquiatra do Centro Médico Wexner da Ohio State University (EUA) diz: ''Os impactos do doomscrolling na saúde mental das pessoas variam em intensidade. Em geral, a obsessão por ficar verificando atualizações o tempo todo desperta sentimentos de ansiedade, tristeza, isolamento e depressão. Assim, a prática atua como gatilhos para diversos transtornos de saúde mental e gera um círculo vicioso. ''
Diante disso, o que fica para mim é a responsabilidade que preciso ter para escolher o que tenho consumido de conteúdos e notícias. Infelizmente temos um cenário onde o que veio para contribuir positivamente, tem se tornado um adversário para quem não filtra o que tem acessado. Por isso, se atente e compreenda que sua saúde mental e física está em jogo, consumir é um hábito, então, que você possa escolher de forma mais saudável seu tipo, quantidade e meio de consumo.



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