Hábitos
- 21 de fev. de 2024
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``Hábitos aprendidos na infância e como desconstruir alguns.``
Essa foi a sugestão de tema que recebi para escrever nesta edição do blog. Confesso que adorei o tema, porém é um desafio escrever sobre um assunto que é tão complexo dentro do campo da psicologia. Vou tentar ser objetiva, no entanto adianto que é um assunto que tem várias outras facetas.
Para iniciar, preciso citar o psicólogo russo Lev S. Vigotski. Ele foi o precursor nos estudos sobre os hábitos e suscitou o interesse em vários outros teóricos. Por isso, temos diversas opiniões e vertentes que defendem diferentes aspectos sobre os hábitos, e vou optar por trazer as concepções com que eu me identifico e faz mais sentido na minha prática profissional.
Segundo Mouly (1993), hábitos se relacionam com padrões de comportamento aprendidos que, uma vez mantidos, dão estabilidade e permanência ao comportamento, podendo ser bons ou maus em seus motivos. É interessante ter como ponto de partida essa definição, porque os hábitos mais reforçados são aprendidos na primeira infância (0-6 anos) e por assim ser, não há um senso crítico que faz com que a criança saiba que está aprendendo um hábito que irá prejudicá-la, por exemplo, na vida adulta.
Dessa forma, é muito comum que, chegando à maioridade e tendo a maturidade desenvolvida, percebamos que adquirimos vários hábitos que não agregam positivamente em nossa vida. Tenham esperança, existem mecanismos para mudanças de hábitos e irei citar.
Para Howe (1915), o hábito, pelo seu automatismo, uma vez iniciado tem seu movimento próprio dando-se numa direção definida e num único curso de consequências; e uma vez estabelecido, tende a ser fixo, mudando somente se novas condições forçarem novas adaptações.
Apesar de o hábito ser uma somatória (de forma bem simplificada) de estímulo + resposta = recompensa ele não se fecha somente nisso, e a literatura científica evidencia que o hábito não é só comportamento. Precisamos perceber, quando falamos de hábito, o sujeito inserido em um contexto: biológico, social e histórico. O ambiente do hábito não é, por exemplo, você ensinando seu filho em casa, em um limite controlado, mas, sim, todo esse contexto complexo que traz várias ramificações. Por exemplo, não cabe no mundo de hoje, os genitores e/ou responsáveis, por uma criança, ensinarem o hábito (que é uma prática) de considerar o racismo uma conduta correta.
Temos a capacidade de desconstruir hábitos porque existe a neuroplasticidade. Inclusive, Vigotski faz seu estudo em conjunto com o tema educação, porque para ele é a mesma base. Se você estuda coisas novas, você aprende coisas novas, exatamente porque o cérebro possui uma capacidade de expansão, de desenvolvimento (neuroplasticidade). O hábito favorece para que nos tornemos capazes de gastar menos energia com o que já foi aprendido, porque para aprender um novo hábito você demanda uma consciência maior cerebral. Por isso que quanto mais hábitos aprendemos mais vivemos no modo automático, como escovar os dentes e tomar banho.
Com esses pequenos elementos colocados, eu quero finalizar com uma sugestão para você, que deseja desconstruir um hábito que não te faz bem. Pare um momento, olhe para esses hábitos (comportamentos) e identifique o fator (emocional) que te conecta a essa prática, principalmente os da infância. Porque para desconstruir, precisamos acessar nossas emoções, são elas que nutrem um comportamento, mesmo que ele seja prejudicial. Depois, pense sobre o que você gostaria que estivesse no lugar desse hábito, você quer desconstruí-lo para colocar o quê no lugar?! Porque, pensando nisso, você conecta com novas práticas que pode adotar e gerar um novo hábito.
Leve em consideração que para acontecer uma mudança de hábito você precisa ter um estímulo, uma razão para isso. Não vale, então, apenas querer ser diferente ou deixar um mau hábito para trás, você precisa tomar consciência e essa consciência te gera uma justificativa para dar conta de sustentar um novo hábito.
Dicas de livros:
Hábitos atômicos: um método fácil e comprovado de criar bons hábitos e se livrar dos mau. James Clear
O livro que você gostaria que seus pais tivessem lido: (e seus filhos ficarão gratos por você ler). Philippa Perry



Adorei!