A minha experiência no vulcão Pacaya
- 14 de set. de 2022
- 3 min de leitura

Essa foto eu tirei em agosto de 2022, mês passado, em uma viagem que fiz para a Guatemala. O país fica na América Central e possui 37 vulcões, esse é o Pacaya, um dos vulcões mais ativos do país. Subir o vulcão foi uma das experiências mais incríveis que vivi até hoje, durante o percurso refleti sobre algumas coisas que quero deixar registrado e compartilhar com você.
Eu estava no meu segundo dia de viagem que durou duas semanas, sozinha, fiquei hospedada em um hostel na Antiga Guatemala para poder fazer o passeio até o vulcão, estava combinado do guia passar no hostel de tarde, agora não me lembro exatamente da hora, e eu tinha tido uma péssima noite, de muita cólica, pressão baixa e enjoo, cheguei a pensar que deveria desistir do passeio, porém teimosa que sou, não queria desistir dessa experiência que sentia que seria incrível, pelo desafio, pelo país, pela solitude e tudo que estava vivenciando.
Então, tomei um remédio, comi um lanche leve e fui. Foram alguns minutos ou horas até a entrada do vulcão, não sei precisar porque o percurso me captou por sua beleza, dimensão e descobrimento do novo. Na entrada me recordo dos rostos das crianças que ofereciam um suporte para a subida, com grande simpatia e pobreza estrutural, me incomodei em ver aquelas crianças tendo que trabalhar. Não é possível visualizar o vulcão na entrada, mistério que me motivou ainda mais na subida, ansiava por poder ver e contemplar. Para minha surpresa, um guia muito simpático e educado conduziu-me o grupo que fazia parte. E ele contava com tanto entusiasmo a respeito do vulcão que parecia ser sua primeira vez, e isso é encantador, perceber que ele ama o que faz, ama tanto que mesmo subindo 15 vezes por mês praticamente, ainda faz registros fotográficos com muita animação, porque cada vez que se sobe o vulcão ele nos apresenta uma nova perspectiva de como é e está naquele momento.
Eu me lembro de uma parte muito especial, a subida estava íngreme e o chão escorregadio e olhei pra cima, a lua estava lá, senti que se ela estava me fazendo companhia, e quando desci meus olhos, pude ver pela primeira vez o vulcão, foram instantes de muita euforia. A sensação não cabe em palavras e a experiência foi única, tentar transmitir em palavras é uma grande pretensão frustrada da minha parte. A natureza manifesta sua vida por meio da erupção, a profundidade da terra conecta com a atmosfera, e isso é magnífico.
Havia rastros de uma erupção que aconteceu em 2021, fissuras onde saia uma fumaça quente, como uma comunicação, dizendo que ele está vivo e isso é de um potencial incrível. E no meio de tanto poder e força, foi possível ter uma experiência doce, comendo marshmallow aquecido pelo vulcão. Forte e doce, quente e frio, por conta da altitude, a natureza na sua mais real beleza. Eu sinto gratidão por ter tido a permissão em conhecê-lo.
Esse relato foi diarístico, no fim não consegui expressar as reflexões que tive e estão aqui comigo, talvez faça pouco sentido para você, porém, se na próxima vez que olhar para o céu ou tocar a água ou qualquer outro contato com a natureza, você se permitir sentir a vida e força que há nela, minha exposição foi por uma boa causa.
Eu poderia até articular essa experiência com o mundo corporativo, dizer do vulcão que habita em você ou coisa do tipo, ah ou falar dos benefícios que a terra tem para o cultivo, da população que arrisca suas vidas para trabalhar nas proximidades, entretanto não senti vontade.



Comentários