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Como tornar nossas ações cotidianas conectadas à nossa essência relacional e amorosa

  • 21 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura
quatro jovens abraçados

Somos seres naturalmente relacionais e amorosos — uma dimensão que se manifesta por si só, mas que também é sustentada por diversas linhas teóricas da psicologia:

  1. Teoria do Apego – John Bowlby 

    - Propõe que os seres humanos possuem uma necessidade biológica de formar vínculos afetivos desde o nascimento. 

    - O apego seguro com cuidadores promove confiança, empatia e capacidade de amar. 

    - O afeto não é apenas desejável — é essencial para o desenvolvimento saudável.

  2. Psicologia Humanista – Carl Rogers e Abraham Maslow 

    - Rogers acreditava que o ser humano tende à autorrealização por meio de relações genuínas e empáticas. 

    - Maslow incluiu o amor e o pertencimento como necessidades fundamentais em sua famosa pirâmide. O amor é visto como um motor de crescimento pessoal e bem-estar.

  3. Psicologia Social – Teoria da Interdependência Demonstra que nossas decisões e comportamentos são moldados pelas relações interpessoais. O ser humano é construído em relação ao outro — nossas emoções, valores e identidade emergem no contato social.

  4. Psicologia Evolucionista Argumenta que o comportamento amoroso e cooperativo tem raízes evolutivas. A empatia, o cuidado parental e os vínculos afetivos aumentaram a sobrevivência da espécie.

  5. Psicologia do Desenvolvimento – Lev Vygotsky Enfatiza que o desenvolvimento cognitivo ocorre por meio da interação social. O outro é mediador do nosso crescimento — somos moldados pelas trocas afetivas e culturais.


Com a ascensão das inteligências artificiais e seu uso crescente em terapias, aconselhamentos e outras formas de apoio emocional, emergiu em mim uma percepção profunda: mesmo diante de comportamentos humanos marcados pela violência, pelo descontrole e pela ausência de empatia, ainda há esperança.


Mesmo sabendo que não estamos lidando com uma pessoa, mas com uma máquina, buscamos criar vínculos. Isso revela algo essencial sobre nós: a necessidade de conexão transcende a lógica.


Vemos isso em diversos contextos, pessoas que conversam com assistentes virtuais como se fossem amigos, crianças que atribuem sentimentos a robôs interativos, idosos que se sentem acompanhados por dispositivos que lembram horários de remédios e contam histórias. Até mesmo em jogos, muitos criam laços emocionais com personagens fictícios, choram por suas perdas e celebram suas conquistas.


Esses vínculos, por mais simbólicos que sejam, mostram que o afeto não depende apenas da reciprocidade, mas da nossa capacidade de projetar cuidado, empatia e desejo de pertencimento. A esperança, talvez, esteja justamente aí: na nossa insistência em amar, mesmo quando o outro não é humano.


Como tornar nossas ações cotidianas conectadas à nossa essência relacional e amorosa, segundo a psicologia?


Segundo abordagens da psicologia humanista e relacional, cultivar vínculos genuínos exige que dediquemos tempo às pessoas — e não apenas às coisas. Esse cuidado se revela nas sutilezas do cotidiano, nos gestos que parecem pequenos, mas carregam profundidade emocional. Exemplos incluem:

  • Dizer “bom dia” com presença e intenção, não por mera formalidade.

  • Perguntar “como você está?” e realmente escutar a resposta.

  • Reconhecer o esforço do outro, mesmo em tarefas simples.

  • Praticar o perdão — inclusive consigo mesma.

  • Criar espaços de escuta, sem pressa, distrações ou julgamentos.


No ambiente de trabalho

A conexão humana também pode (e deve) existir nos espaços profissionais. Para isso, é essencial:

  • Oferecer feedback com empatia, valorizando o esforço antes de apontar falhas.

  • Celebrar conquistas coletivas, como o encerramento de um projeto ou o alcance de metas, com gestos simbólicos — um café, uma mensagem, um agradecimento.

  • Respeitar os limites emocionais e físicos dos colegas, combatendo a cultura da hiperdisponibilidade.

  • Ajudar sem esperar reconhecimento, apenas por cuidado genuíno.

  • Criar pausas compartilhadas, onde o foco seja o vínculo, não a produtividade — como rodas de conversa ou cafés sem pauta.

  • Humanizar a comunicação, trocando e-mails frios por mensagens que expressem consideração e afeto.


No ambiente familiar

É dentro de casa que os vínculos mais profundos se constroem — e também se perdem, se não forem nutridos. Para fortalecer esses laços:

  • Olhe nos olhos ao conversar, mesmo em assuntos cotidianos.

  • Valorize os rituais simples, como preparar uma refeição juntos ou contar histórias antes de dormir.

  • Pergunte sobre o dia do outro com curiosidade verdadeira, não por obrigação.

  • Agradeça pelos gestos diários, como lavar a louça ou cuidar da casa — o afeto também mora na rotina.

  • Esteja presente nas emoções difíceis, sem tentar resolver, apenas acolher.

  • Crie momentos de reconexão, como desligar os celulares durante o jantar ou fazer caminhadas em silêncio.


Conectar-se à nossa essência relacional é um exercício diário de presença, escuta e afeto. Não exige grandes gestos, apenas a coragem de estar verdadeiramente com o outro. Essas atitudes, embora simples, são profundamente transformadoras. Elas nos reconectam com o que há de mais humano em nós: a capacidade de cuidar, de se importar, de amar.

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